Na região de Bauru, no interior de São Paulo, todo mundo conhecia a história: tinha um Dodge azul, inteiro, guardado numa oficina antiga, e a dona não vendia de jeito nenhum.
A dona que nunca dirigiu
O Dart saiu zero da concessionária em 1972 para uma senhora que nunca teve carteira de motorista. Quem dirigia era a família: o pai, um sobrinho, um tio. O carro rodou nas décadas de 1970 e 1980 e, lá pelos anos 2000, foi parando de sair.
Vinte anos numa oficina
O carro foi para a oficina de um amigo dela da igreja, um antigo posto Castrol. Um dia, a caminho do conserto do limpador de para-brisa, o cabo do acelerador estourou. O mecânico voltou, trocou o cabo e decidiu não tirar mais o carro de lá. Durante anos, ele só calibrava os pneus e tirava a poeira.
“O carro não está à venda”
Bruno viu a traseira do Dodge pela porta da oficina por volta de 2016. Foi até a casa da dona, se apresentou e, quando falou do carro, ouviu um educado “o carro não está à venda” antes de a porta se fechar. Desde então, voltava à oficina a cada seis meses, às vezes levando o avô de quase 90 anos, só para ver o carro e conversar.
A Gisele entra na história
Bruno conheceu a Gisele, que primeiro achou que o tal Dodge era sucata e depois se encantou. Em 2022, numa visita, encontraram a oficina sendo desmontada: o mecânico ia parar de trabalhar e o carro teria que sair. A venda estava nas mãos de um sobrinho, e já havia outro comprador na frente.
Foi a Gisele quem assumiu a negociação. Numa segunda-feira, depois do trabalho, os dois pegaram a estrada para conversar com o sobrinho pessoalmente. No dia seguinte veio a resposta: o carro era deles. “Não é nem pela questão do dinheiro, é porque eu gostei da história”, disse o sobrinho.
Do jeito que estava
O Dart saiu de guincho, com freio travado, sem chave e sem dar partida havia mais de 20 anos. O hodômetro marcava 91.666 km, e um selo de troca de óleo de 1992 mostrava 87.000 km. Os pneus Goodyear originais foram guardados.
Por dentro, quase tudo é de fábrica: forros de porta, bancos, borrachão do assoalho, forro de teto, chicote elétrico e até a tampa do radiador. Só o volante, derretido pelo tempo, foi trocado por outro da época. Bruno tinha planos de mexer no carro, mas desistiu: “não tenho coragem de tirar um parafuso”.
“A gente é um dono temporário. Ele vai durar muito mais que a gente.”
Assista ao episódio completo e conheça essa caçada de perto.
Ficha do carro (bloco Tabela no fim do texto):
| Item | Informação |
|---|---|
| Modelo | Dodge Dart |
| Ano | 1972 |
| Cor | Azul |
| Primeira dona | Comprou zero em 1972 e manteve até 2022 |
| Quilometragem na compra | 91.666 km (2022) |
| Estado | Original, não restaurado |
| Dono atual | Bruno Ruiz |

